O trabalho dignifica o homem?

por: Vinicius Souza

fotografias: Lisa Kristine

 

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Muitas famílias se divertem no feriado de 1º de Maio sem imaginar que o Dia do Trabalho seria para lembrar um massacre de trabalhadores em greve em Chicago, em 1886, reivindicando uma jornada abaixo das 13 horas de então. A data, instituída pela Segunda Internacional Socialista em Paris, três anos depois, deveria ser de luta e não de festa.

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E ainda é preciso muita luta para transformar a palavra trabalho, quem vem do latim Tripalium (um instrumento de tortura formado por três estacas de madeira encravadas no chão e usado para martirizar os escravos no Império Romano), em algo mais digno. Na época, trabalhador era quem punia o escravo nos troncos. Hoje, são os trabalhadores os martirizados e muitas vezes escravizados.

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Enquanto isso, exploradores modernos do trabalho alheio lutam no Congresso para impedir a perda de suas terras e empresas flagradas usando mão-de-obra análoga à escravidão ao mesmo tempo em que hipocritamente acusam os solidários médicos cubanos de serem escravos da ditadura dos Castro.

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Mas a escravidão moderna não é exclusividade das fazendas e oficinas de costura brasileiras. Ela se espalha por todo o mundo movido pelo grande capital internacional. Pessoas trabalhando até a morte para garantir o pão de cada dia estão em todos os continentes, apesar disso ser ilegal em todo o mundo. Segundo estimativas oficiais seriam perto de 30 milhões em minas, pedreiras, olarias e outros trabalhos pesados, perigosos ou mesmo sexuais. Isso é o dobro de africanos traficados para fora do continente durante a escravidão formal nas Américas. E rende anualmente perto de US$ 13 bilhões.

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Foi para mostrar essa chaga na nossa tão festejada modernidade e globalização que a fotógrafa Lisa Kristine percorreu dezenas de países em cinco continentes por vários anos documentando a escravidão moderna. Uma narrativa da própria fotógrafa, em inglês, pode ser vista no site da iniciativa Global Contra o Tráfico de Pessoas, da ONU, em http://www.ungift.org/knowledgehub/stories/august2012/ted-talks-features-photographer-lisa-kristine-bearing-witness-to-modern-day-slavery.html .

Um feliz Dia do Trabalho a todos.

PS: Se a alguém interessar um “texto leve” sobre filosofia e labor na atualidade, sugiro grandemente o pequeno livro (70 páginas) O Trabalho Como Vida, de Dietmar Kamper, Editora AnnaBlume 1998.

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vai também/see also:  http://www.mediaquatro.com

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