Golpes Financeiros

O tema é cheio de exemplos. Golpistas financeiros que alcançam sucesso enganando pessoas são, antes de tudo, bem informados/as e criativos/as, de modo que os golpes vão evoluindo ao longo do tempo e à medida em que as regras de funcionamento do mercado financeiro e do mercado de capitais são aprimoradas.

A vitima de golpes financeiros, de outro lado, habitualmente é pouco informado/a e tende a acreditar nas promessas de ganhos fáceis e irreais oferecidos pelos golpistas. Mesmo as vítimas mais cautelosas – quer dizer, que fazem perguntas e tentam apurar a veracidade das informações recebidas – podem cair em golpes, por falta de conhecimento específico que só um especialista poderia ter.

Uma parte dos golpes são fraude pura e simples, tipo o golpe do bilhete de loteria premiado – alguém abordava uma pessoa na rua oferecendo um bilhete premiado da loteria, por um valor muito menor que o prêmio, com uma estória qualquer sobre por quê não podia ir receber – que foi, em uma época, bastante comum nas ruas de São Paulo.

Então, o/a golpista, nesse tipo de golpe, está sempre oferecendo alguma coisa para vender por um valor muito baixo ou querendo comprar alguma coisa sua, que você nem sabe se vale alguma coisa, ou por um valor muito alto, ou ainda dizendo que você ganhou alguma coisa, para a qual você pode nem ter concorrido, mas para receber o prêmio você tem que comprar alguma coisa, ou depositar algum dinheiro para cobrir custos.

O golpe, sempre, passa pela “necessidade” de você colocar dinheiro na frente – ou pagando o que está sendo vendido, ou depositando dinheiro para cobrir custos, no caso das ofertas de compra.

Gato X Lebre

Comprando gato por lebre

Hoje em dia, parte dos “golpes” você recebe por SMS no seu celular. Na última semana mesmo, o meu número de celular foi “sorteado” para participar de um sorteio (como? sorteado para participar de um sorteio é muito!) de um Hyundai HB20 – “sem custo” (ui!) – e de outro sorteio de R$ 3 mil e mais “levar automaticamente” 1 brinde da TIM, ao “módico” custo de R$ 0,99 + IMP/dia!

Estes são os “pequenos” golpes. Os “grandes” seguem uma lógica mais complexa, inaugurada, digamos assim, por um sujeito chamado Charles Ponzi, um ítalo-americano que nos anos 20 montou a primeira pirâmide, com base na troca de cupons postais de outros países por selos americanos. Quando o esquema entrou em colapso, descobriu-se que 160 milhões de cupons postais eram necessários para sustentar as margens que seduziam os investidores. Mas só existiam 27 mil no mercado. Condenado a anos de prisão, Ponzi posteriormente mudou-se para o Rio de Janeiro (porque será?), onde morreu pobre em 1949.

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Nos esquemas de pirâmide – ou “esquemas Ponzi” – o elemento chave é a constante entrada de novos participantes – que, na verdade, são a fonte dos ganhos dos que entraram antes. Indícios desse tipo de golpe são os novos entrantes serem incentivados, ou mesmo instados, a trazerem outras pessoas, e/ou despesas de marketing (no caso de empresas) muito altos em relação às despesas com a produção no seu setor. Os esquemas Ponzi quebram quando a entrada de novos “investidores” diminui e quem entrou não só deixa de ter o ganho pretendido, mas perde também o dinheiro que colocou.

Alguém aí lembra, ou já ouviu falar do investimento em avestruz?

Fundado em Goiânia em 1998, o grupo Avestruz Master oferecia contratos de compra e venda de avestruzes com compromisso de recompra dos animais. Prejuízo total dos investidores estimado em R$ 1 bilhão.

Fundado em Goiânia em 1998, o grupo Avestruz Master oferecia contratos de compra e venda de avestruzes com compromisso de recompra dos animais. Prejuízo total dos investidores estimado em R$ 1 bilhão.

E do esquema do boi?

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No mais conhecido caso de pirâmide financeira do Brasil, 30 mil investidores perderam 3,9 bilhões de reais, seduzidos pela oferta de um lucro mínimo de 42% no prazo de um ano e meio, através do investimento em contratos de investimento coletivo (CICs) emitidos pela empresa Fazendas Reunidas Boi Gordo, nos anos 90. O investimento tinha como objetivo o ganho com a engorda de bois e criação de bezerros, mas os lucros repassados eram pagos sobretudo pela entrada de novos investidores no negócio.

São muitos os exemplos, e não só envolvendo animais, claro. Você certamente já ouviu falar da pirâmide financeira do Maddoff – que enganou ricos e famosos, além de bancos e instituições financeiras (!)  em escala mundial, em um “negócio” que funcionou perfeitamente durante 16 anos!

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Bernard Lawrence Madoff oferecia a seus clientes um rendimento de 1% ao mês. Conhecido como um bem sucedido gerente de investimentos de Nova Iorque, não foi difícil conseguir novos clientes. Parte do dinheiro recolhido nunca foi investida. A outra parte servia para remunerar os que solicitavam o resgate. Estima-se que os investidores tenham perdido entre 12 e 20 bilhões de dólares ao longo dos anos. Em 2009, Madoff foi condenado à sentença de 150 anos de prisão, por 11 crimes, entre fraude contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro e perjúrio.

Leituras recomendadas:
– Revista Exame: 6 golpes financeiros que enganaram milhares de investidores.
– CVM: Situações de Risco.
– Brasil+40: Marketing Multinível ou Pirâmide Financeira?.

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