Crowdfunding: “vaquinha” ou negócio?

Li no Boing Boing – Crowdfunding real-life, citywide choose-your-own-adventure stories – que escritores famosos e premiados já se inscreveram para participar de um projeto chamado “escolha-sua-própria-aventura” (CYOA, na sigla em inglês), escrevendo estórias relacionadas a locais em cidades reais que poderão ser localizadas e lidas usando smart phones e códigos QR.

O projeto está no site australiano de crowdfunding Pozible – ver aqui -, para captar 26 mil dólares australianos. As recompensas oferecidas incluem visitas guiadas, versões impressas, tuckerizations (uso do nome de uma pessoa em uma estória original, como brincadeira), aventuras lideradas por autores das estórias, nas cidades em que se passam e até mesmo a chance de ter um CYOA escrito em uma cidade da escolha do doador.

Então, a ideia é de que o leitor, ao invés de ler o CYOA em forma de livro impresso, imaginando cada detalhe, usará mapas para ler cada estória no local em que a aventura acontece. Cada mapa terá uma série de códigos QR que poderão ser localizados usando um smart phone. Cada código levará a uma página na qual o leitor encontra uma parte da aventura e as (várias) opções para continuar a estória. Cada parte da estória se passa em um dos locais marcados no mapa, propiciando a oportunidade de conhecer cada cidade de uma forma totalmente nova. Cada estória acontece em uma cidade específica.

Vou ao Pozible para saber mais e a primeira descoberta é que provavelmente o projeto não se viabilizará – faltando 29 horas para terminar a campanha de captação, só cinco mil dólares australianos foram captados. Ué, mas a ideia parece tão bacana! Por que será que não vai dar certo? A segunda descoberta é que o projeto é de uma editora, que pagará os escritores pelas estórias. Juro que eu achei que podia ser de uma empresa de turismo ou de governos locais, buscando incentivar o turismo. Será que isso faz diferença?

A partir daí perambulei por um monte de lugares – veja a relação no final -, que me levaram a algumas parcas conclusões provisórias e uma lista maior de perguntas.

É fato que o crowdfunding como “vaquinha” eletrônica funciona. Eu mesma já contribui com um projeto de uma peça de teatro que tinha a filha de uma amiga entre as atrizes. Também para organizações que vivem de doações – como institutos de pesquisa, ou universidades, ou ONGs – o crowdfunding também parece bastante bem resolvido, mas quando se fala do crowdfunding como parte de um negócio, as coisas se complicam consideravelmente.

Começa que ao contrário da doação, a relação entre o captador e o “doador” carece de adequada qualificação, porque terá implicações legais importantes, relacionadas à tributação e as regras que regem os investimentos e os direitos dos consumidores em cada país. E no Brasil, essas implicações são particularmente complicadas, o que torna necessário ter a ajuda de especialistas – em particular, de advogados.

De qualquer modo, é interessante que a arrecadação via crowdfunding para negócios é o segundo mais importante tipo de projeto presente na indústria de crowdfunding no mundo.

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Das relações de projetos de sucesso em crowdfunding, chamou a minha atenção o caso do The Age of Stupid, um site (cômico) que vive de propaganda e que captou mais de 528 mil dólares via Kickstarter oferecendo conteúdo sem anúncios, ou licenciado sob Creative Commons. Sem dúvida, um caso a ser estudado.

Relação de sites selecionados:

  1. Your Great Business.com (sobre o tipo de organização que vai captar os recursos)
  2. CrowdCube (Crowdfunding para investimento)
  3. Catarse.me
  4. Observatório da Imprensa (Crowdfunding para jornalismo)
  5. CTV News (projetos de sucesso do Kisckstarter Canadá)
  6. PCWorld (pesadelos do Kickstarter e como evitá-los)
  7. PCWorld (a maior parte dos projetos falham)
  8. Online MBA (25 projetos de maior sucesso em crowdfunding)
  9. Indiegogo (projeto do Medical Tricorder que arrecadou mais de 1 milhão de dólares em 2 meses)
  10. Huffington Post (sobre o sucesso do Medical Tricorder no Indiegogo)
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Uma resposta para “Crowdfunding: “vaquinha” ou negócio?

  1. Pingback: Crowdfunding, o negócio | Brasil+40·

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