Seu negócio é um bom negócio?

Sou leitora do blog Boing Boing e no último 19 de setembro achei curioso um post com o título (tradução livre) “David Rees está entendiado de apontar lápis por US$ 35 cada”.

Como? Li de novo: “David Rees está entendiado de apontar lápis por US$ 35 cada”. Estava certo. Quer dizer que existe alguém que em 2013 consegue que lhe paguem US$ 35 para apontar 1 lápis? E está entediado de apontar lápis? Como assim? Tem alguém que não fica?!

Fui ler o resto. Rees é também autor do livro “How to Sharpen Pencils: A Practical & Theoretical Treatise on the Artisanal Craft of Pencil Sharpening” (em tradução livre, “Como apontar lápis: um tratado prático e teórico do ofício artesanal de apontamento de lápis”. Esse negócio está ficando muito engraçado. Quer dizer que tem também quem compre um livro sobre a arte de apontar lápis?

Continuei.  Está lá, em um quadro destacado (também em tradução livre):

pencils “O segredo do negócio é lembrar as pessoas de gostar de lápis amarelos número 2, porque são legais e interessantes”, diz Rees, “e bons para ganhar um monte de dinheiro”.Mas, a essa altura, trabalho parece com trabalho.

“Você faz alguma coisa por muito tempo por dinheiro e isso simplesmente começa a virar um trabalho”, segundo Rees.

Então (escreve o autor do post no Boing Boing), quando está próximo de alcançar o número redondo de 2 mil lápis apontados,  Rees sugere que, em breve, ele vai querer limpar seus apontadores para sempre, “deixando o mundo um lugar muito maçante”.

Fui atrás de saber mais. Em quanto tempo Rees chegou a 2 mil lápis apontados e quanto dinheiro terá feito com seu negócio? Vou seguindo os links. O primeiro, ainda no Boing Boing, leva para uma matéria na Fox, também em 19 de setembro de 2013.

Aí descubro que Rees começou a apontar lápis quando deixou seu emprego como cartunista político (aê, pessoal de mídia!) para trabalhar no Censo de 2010, dedicando o dia inteiro ao registro de suas pesquisas com um lápis #2.

Rees conta à Fox que na ocasião pensou que deveria existir uma maneira de ser pago para apontar lápis para as pessoas e que a cada ponta quebrada o “escritor” mandaria o lápis para ser apontado. Ele de fato conseguiu uma forma de ser pago, mas a maioria dos clientes que usam seu serviço expõem as pontas feitas por Rees como arte. Afinal, Rees devolve os lápis apontados, com certificado e as aparas embaladas!

Rees vive do ofício, mas não faz apenas apontar lápis. Já escreveu um livro e dá aulas, mesmo com o receio de que algum aluno apontador melhor que ele possa entrar no negócio e “esmagá-lo”.

Da Fox vou para a página de Rees – que traz a informação de que como cartunista Rees trabalhou em publicações como Rolling Stone, GQ, The Nation e Harper’s -, e de lá sigo para o site da New Yorker, que publicou uma resenha sobre o livro de Rees, em maio de 2012.

Mesmo reconhecendo que é “um pouco ridículo” invocar Melville [o autor de Moby-Dick] para discutir “o que parece o tipo de livro que você poderia comprar para o banheiro”,   escreve que em determinadas partes do livro de Rees é impossível não pensar em Moby-Dick. A resenha tem o título “Pencils and Nothingness” (“Lápis e Nada” é o melhor que eu consigo como tradução) e explora os (muitos) aspectos hilários da obra, como a discussão sobre  os riscos psicológicos associados ao apontamento de lápis e as estratégias para lidar com os mesmos (sic).

Então, Rees parece estar exatamente naquele ponto em que a genialidade e a completa falta de inteligência – como em Muito Além do Jardim – se cruzam e se confundem. E apontar lápis não parece estar entre as 10 coisas mais complicadas de fazer em 2013.

Mas, de qualquer modo, é fato que na época da matéria na New Yorker, Rees cobrava US$ 15 por lápis e agora cobra US$ 35, mais do que o dobro. Se ele apontou 2 mil lápis em cerca de 4 anos (500 lápis por ano), o negócio dele valeria algo como sete mil e quinhentos dólares por ano (US$ 625 por mês, cerca de R$ 1.400,00) antes e agora vale dezessete mil e quinhentos por ano (US$ 1,500 por mês, cerca de R$ 3.300,00).

Rees pode não ser um gênio, nem ter o negócio do futuro, mas sem dúvida é exemplo do que é fazer marketing.

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