Paywall: e aí, vai encarar?

Paywall

O “hard paywall“, que requer assinatura prévia ao acesso a conteúdo veiculado on-line, é tido hoje como a opção de paywall mais arriscada, estimando-se que um site vai perder em torno de 90% de sua audiência, no momento em que assinaturas sejam requeridas para o acesso, e que receitas serão recuperadas dependendo da capacidade de produção de conteúdo suficientemente atraente para atrair assinantes, direcionado a um grupo bem identificado e estável (“nicho”) e sem concorrentes relevantes.

O The Wall Street Journal foi o primeiro jornal a cobrar por assinaturas por conteúdo on-line, a partir de 1997, conseguindo, na época, 200 mil novos assinantes em pouco mais de um ano. O WSJ mantém até hoje o mesmo modelo de negócios, baseado na permanência das condições para o sucesso do hard paywall usado com o tipo de conteúdo (especializado para mercado financeiro) que veicula.

Mas quando se fala de notícias não especializadas, a certeza sobre o sucesso do modelo de negócios baseados em hard paywall desaparece, e o que se vê mais comumente são aplicações tentativas de paywall, em partes maiores ou menores de conteúdo, buscando um equilíbrio entre queda de receitas de publicidade – em função da perda de circulação on-line – e a receita com assinaturas.

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Os resultados não são homogêneos, nem tampouco conclusivos. Grandes jornais reportam sucesso em seus soft paywalls, mas ainda não existem dados suficientes para saber o quanto tais modelos se mostrarão sustentáveis no longo prazo.

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Também não se sabe se o mesmo modelo servirá fora da grande mídia, onde estão as publicações independentes e os jornais locais. Em 13 de agosto de 2013, pouco mais de quatro meses após o lançamento de um novo sistema de paywall, o San Francisco Chronicle anunciou o fim da experiência de cobrança por conteúdo on-line. E em 22 de agosto último, o site de jornalismo investigativo Exaro anunciou a remoção do seu paywall, lançado experimentalmente em outubro de 2011.

A iniciativa do Exaro parece fazer parte de um movimento mais amplo, no sentido de investir para o aumento da receita advinda de outros tipos de “produtos de mídia” como parte dos planos de negócios também na grande mídia.

O The Guardian, que, até agora, fez da resistência à instalação de barreiras de acesso a conteúdos uma filosofia, tem investido no desenvolvimento de produtos e reportou uma receita em publicidade com a sua aplicação para Facebook (Facebook APP) maior do que foi gasto para desenvolvê-la – o que não parece ruim, mesmo sem as qualificações do resultado que pudessem tecnicamente indicar que a iniciativa de fato é um “bom negócio”.

Nos Estados Unidos, o último levantamento da Newspaper Association of America (NAA) mostra que as receitas totais de publicidade caíram 2% em 2012, comparativamente ao ano anterior. Os números revelam que a receita de publicidade continua a declinar – 6% em 2012 – enquanto as outras categorias de receita estão crescendo. A receita de circulação (venda de jornais impressos) cresceu 5% em 2012, enquanto um conjunto de novas fontes de receita, não relacionadas à publicidade convencional e que não existiam há alguns anos, cresceu 8%. Estas novas receitas, que incluem itens como consultoria digital para negócios locais e transações de comércio eletrônico, hoje respondem no mercado americano por um em cada dez dólares faturados pelas empresas da indústria da mídia.

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Não parece muito fácil resolver os impasses que as empresas jornalísticas e os profissionais da área enfrentam em direção ao futuro e ainda falta tempo para que as novas soluções sejam encontradas. O caminho promete sangue, suor e lágrimas.

E aí, vai encarar?

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