Ken Oosterbroek – Guru e mártir do Bang Bang Club

Quando Greg Marinovich começou a fotografar para o Star, Ken Oosterbroek, já era um profissional tarimbado, chefe do departamento de fotografia do jornal e duas vezes vencedor do Prêmio Ilford, de Fotojornalista Sul-Africano do Ano. Veterano da guerra em Angola, onde fotografara clandestinamente os colegas militares, formava com João Silva a dupla que levantou a decadente editoria de fotografia do jornal. Com isso, conseguiu ir para Israel, com a namorada, cobrir a breve crise dos misseis lançados do Iraque em 1991, durante a 1ª Guerra do Golfo.
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Alto, bonito, cativante e um pouco racista, foi um grande incentivador de outros talentos da fotografia e abriu espaço na imprensa para, entre outros, Marinovich, Silva e Kevin Carter. Ele passou anos, por exemplo, incutindo em João, seu melhor amigo, a ética de fotografar primeiro e depois pensar no resto. Extremamente destemido e dedicado ao trabalho, foi o primeiro do grupo a morrer, ironicamente vítima de uma bala disparada pelos mal-preparados soldados da recém criada Força Nacional de Manutenção da Paz, num episódio em que Marinovich também foi ferido. Eles não eram alvos e acompanhavam os militares, mas os recrutas amedrontados atiravam a esmo sem motivo.
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A morte de Oosterbroek e o suicídio Carter pouco tempo depois, puseram fim ao chamado Clube do Bangue Bangue. No diário que mantinha desde os anos 1980, temos algumas pistas sobre o que pensava de si próprio, como as palavras no dia seguinte ao recebimento de seu primeiro grande prêmio de fotografia: “E agora? Que me deem a chance de fotografar algo de magnitude. A vida real, enquanto ela ocorre. Quero um trabalho de impacto. Algo que faça subir a adrenalina, que inunde o cérebro com a possibilidade e o potencial de fazer fotos poderosas. Sou um fotógrafo. Me deem liberdade”. Esse era Ken Oosterbroek.
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2 Respostas para “Ken Oosterbroek – Guru e mártir do Bang Bang Club

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