Mídia Ninja: em busca de um novo modelo?

bruno

Bruno Torturra transmitindo ao vivo manifestação contra o governo de São Paulo no fim de julho. Foto: MediaQuatro – http://www.mediaquatro.com

“O nosso ideal é ajudar a criar uma rede financeiramente viável que dê conta não só da demanda do público por informação de qualidade, mas também da oferta de jornalistas que não encontram vagas no mercado ou que estão sendo despedidos das grandes redações”. A declaração foi dada à BBC Brasil, pelo jornalista Bruno Torturra, um dos membros do grupo Mídia Ninja, em São Paulo, conforme matéria publicada em 5 de agosto último.

Muita discussão foi publicada na “Grande Mídia” sobre a posição política de membros do Mídia Ninja, alimentada pela popularidade alcançada pelo grupo com a cobertura das manifestações que tomaram as cidades brasileiras desde junho. Mas cadê a discussão sobre o modelo de produção de informação e a sua viabilidade econômica?

A discussão econômica não é fácil. Todo mundo sabe que o modelo tradicional de produção de informação – quer dizer, da “Grande Mídia” – está em crise, mas pouca clareza existe sobre qual(is) será(ão) o(s) novo(s) modelo(s) que vingará(ão).

Dentro desse quadro de incerteza, o Mídia Ninja surge com um desenho e uma proposta interessante, bastante parecida com o do americano Huffington Post em seu início, mas certamente com uma responsabilidade maior, de não cair nos mesmos problemas.

The Huffington Post é uma rede americana de notícias e blogs, dirigida pela colunista e ativista política Arianna Huffington, de propriedade, desde 2011, da gigante AOL. De acordo com o site Nieman Journalism Lab, o HuffPost foi fundado por Arianna e Ken Lerer, com US$ 10 milhões de financiamento para startups – nada parecido com o que acontece no Brasil, neste ponto -, como um blog e agregador de notícias interativo, visto como uma alternativa ao agregador de notícias conservador  The Drudge Report. (Links para páginas em inglês.)

O HuffPost cresceu muito, desde sua fundação em 2005, em acessos – 40 milhões de visitantes únicos em janeiro de 2012 – e em receitas – US$ 30 milhões por ano, por ocasião de sua aquisição pela AOL, em fevereiro de 2011, e US$ 40 milhões por ano em 2012. Apesar disso, como empresa, o HuffPost só foi marginalmente lucrativo por 2 anos – 2011 e 2012 -, com uma expectativa de perdas para os investidores em 2013.

As críticas ao modelo do HuffPost vão da acusação de agregar conteúdo de outros canais de notícias sem qualquer compensação ao fato de boa parte do seu conteúdo vir de milhares de blogueiros não remunerados, uma prática que tem sido repetidamente criticada desde a fundação da rede e, particularmente, após a sua aquisição pela AOL.

O Mídia Ninja começa como o HuffPost na filosofia, mas sem o financiamento inicial, situação que coloca um desafio econômico muito maior: ou bem o grupo encontra um modelo que prescinda do investidor/financiador e remunere adequadamente os profissionais envolvidos, criando relações estáveis, ou corre o risco de se tornar um “HuffPost dos pobres”, com os mesmos defeitos da rede americana, mas sem tanta grana.

Talvez, um bom começo seja perguntar o que o Mídia Ninja quer ser e onde quer estar daqui a dez anos.

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