As manifestações de junho em São Paulo

Ao se encerrarem as férias, fica um pouco mais fácil entender melhor os eventos de junho de 2013. Para ajudar, segue um cronograma das manifestações desse mês tão turbulento na história recente do Brasil.

Textos e fotos – Vinicius Souza e Maria Eugênia Sá – MediaQuatro – http://www.mediaquatro.com – para Ideias em Revista 41 (Sisejufe-RJ)

06/06 – Primeiro grande ato do Movimento Passe Livre – MPL este ano em São Paulo. Cerca de 5 mil manifestantes saem do centro e são reprimidos com violência pela polícia com balas de borracha e bombas de gás. As depredações na região da Avenida Paulista só ocorrem depois de uma segunda leva de bombas e do início das detenções.

07/06 – Cerca de 7 mil pessoas se reúnem no Largo da Batata, em Pinheiros. A passeata que ia pela Av. Faria Lima é desviada para a Marginal Pinheiros, onde a Companhia de Engenharia de Tráfico fecha a pista local. Longe de todos, a Tropa de Choque lança mais de dez bombas no meio dos manifestantes sem qualquer provocação. Dispersada a massa, depois de duas horas, 500 pessoas chegam à Paulista e negociam com o comando da Polícia Militar a caminhada final até o Masp, sem novos enfrentamentos.

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08/06 – Uma manifestação diferente. Mais de 15 mil pessoas marcham pacificamente pela Paulista, Augusta, Consolação até a Praça da República pela liberalização da maconha. Apenas uma pessoa foi detida por posse de um baseado. Apesar das borrachadas da PM, não houve conflito e a marcha segue com shows de música até tarde da noite. Não há quase repercussão na mídia.

11/06 – Nova passeata pelo Passe Livre, dessa vez saindo da esquina da Consolação com a Paulista, sob intensa chuva. Ao chegar no Terminal Parque Dom Pedro, a polícia impede a entrada dos manifestantes que chegam a depredar alguns ônibus. Sozinho na frente do Tribunal de Justiça do Estado, um PM tenta prender um rapaz que pichava o prédio e é agredido. As cenas são apresentadas em todos os jornais no dia seguinte como prova da violência dos manifestantes.

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13/06 – Editoriais dos principais jornais do Estado pedem a repressão ao movimento e a liberação das vias para o tráfego. PM, Tropa de Choque e Cavalaria fecham as estações de Metrô e a circulação da Paulista por mais de três horas. Ainda na Consolação, manifestantes, jornalistas e transeuntes são alvo de tiros de bala de borracha e bombas de gás lacrimogêneo. Pelo menos 15 jornalistas ficam feridos e centenas de cidadãos são detidos por portarem máscaras, lenços, vinagre, etc. As cenas de selvageria da polícia obrigam os meios de comunicação de massa a mudarem seu comportamento.

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17/06 – Mais de 300 mil pessoas ocupam pacificamente por horas importantes vias da cidade. Com atuação discreta da polícia, não há qualquer tipo de violência ou depredação, nem ao menos picho. Começam a aparecer cartazes e faixas contra a PEC37. Grupos infiltrados gritam palavras de ordem contra os partidos e autoridades políticas federais e conseguem dividir a passeata em quatro frentes distantes, ocupando as avenidas Faria Lima, Paulista, Berrini e as duas pontes que servem de cenário para os jornais paulistas da Globo. Um grupo menor vai ao Palácio dos Bandeirantes e tenta entrar na sede do Governo do Estado.

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20/06 – A vitória dos coxinhas. A imprensa noticia cem mil pessoas, mas cerca de 50 mil tomam novamente a Avenida Paulista. Grupos com bandeiras de partidos políticos são agredidos e rechaçados como “aproveitadores oportunistas”. Faixas e cartazes caros e bem feitos contra a PEC37 se espelham rapidamente. Gritos e ordem contra o PT e o Governo Federal se somam a pautas que vão desde controle de gastos com a Copa do Mundo, até o combate à corrupção e a cassação de parlamentares. Os luminosos do prédio da Federação das Indústrias de São Paulo acendem em verde e amarelo com as formas da bandeira enquanto pessoas com nariz de palhaço e máscara de V de Vingança cantam o hino nacional. O MPL decide não chamar mais passeatas por causa da infiltração de grupos de extrema direita.

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A partir daí, manifestações as mais variadas, reunindo de poucas dezenas até alguns milhares, têm fechado a Paulista praticamente todos os dias. Os maiores enfrentamentos migraram para as cidades-sede da Copa das Confederações. Mas passeatas menores e mais focadas (como as ocorridas na manhã de 25/06 nos extremos Sul e Leste da cidade, principalmente contra a violência policial) fecharam ruas e estradas na região metropolitana e nas cidades do interior. A Tropa de Choque com suas balas de borracha, contudo, voltou a fazer o de sempre: garantir o sagrado direito de propriedade em violentas reintegrações de posse decididas pela Justiça. Em julho, a ação mais visível dos Black Blocks seria o destaque. Resta saber o que agosto nos reserva…

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