O Índice Big Mac

No artigo da última semana – Custo Efetivo Total e a Rebimboca da Grampolheta -, o meu tema foi um indicador bem complexo, o tal do CET, que serve para saber e comparar o custo total de empréstimos com diferentes características.

Para esta semana, escolhi um indicador que é o oposto do CET, e que é tão simples quanto olhar o preço em dólares do Big Mac – sanduíche número 1 da rede de restaurantes de fast-food McDonald’s.

O Índice Big Mac foi inventado pela revista The Economist em 1986, como um indicador divertido, digamos assim, para saber se a moeda de cada país estaria cotada à taxa de câmbio “correta” em relação ao dólar americano.

O índice é baseado na teoria da Paridade de Poder de Compra (purchasing-power parity – PPP), segundo a qual, no longo prazo, as taxas de câmbio devem mover-se em direção ao valor que equaliza os preços de uma mesma cesta de bens e serviços (no caso do índice, um hambúrguer) em qualquer um dos dois países cujas moedas estão sendo comparadas.

Por exemplo: o preço médio do Big Mac nos Estados Unidos em julho de 2013 era UD$ 4.56 e na China, somente UD$ 2.61, às taxas de câmbio correntes. Estes valores são os índices Big Mac para os dois países em Julho de 2013 e dizem que o Yuan (moeda chinesa) estava subvalorizado em 43% (que é quanto o preço do Big Mac na China está abaixo do preço do Big Mac nos Estados Unidos.

Para você ter uma ideia, o gráfico abaixo, mostra os preços do Big Mac um ano antes, em julho de 2012, para vários países, inclusive o Brasil.

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É claro que muitas observações, questionamentos, melhoramentos e sofisticações podem ser feitas ao Índice Big Mac, mas como diz o seu criador, a “Burguernomia” (“Burgernomics“)  nunca teve a intenção de ser uma medida precisa do desalinhamento entre as moedas, mas somente uma ferramenta para tornar a teoria sobre taxas de câmbio mais “digerível” (com trocadilho, é claro).

Mas apesar de seus “senões”, o Índice Big Mac tornou-se um padrão internacional, incluído em vários livros-texto de Economia, e foi objeto de estudo de no mínimo 20 estudos acadêmicos. A The Economist até desenvolveu uma versão gourmet do índice para “aqueles que levam fast food mais a sério”.

O índice ajustado responde à crítica de que os preços do Big Mac podem ser mais baixos em países pobres porque nestes países o custo do trabalho – que inclui salários, contribuições ao governo incidentes sobre os salários e é influenciado pela produtividade da economia – seria menor do que nos países ricos. Além disso, a teoria da Paridade do Poder de Compra é boa sinalizadora da tendência  da taxa de câmbio no longo prazo, mas diz pouco sobre o que seria a “taxa de câmbio de equilíbrio” (economista adora um equilíbrio) atual.

Para ter a melhor medida, o índice ajustado usa uma referência, calculada estatisticamente com base em 48 países mais a zona do Euro,  que é a “linha de melhor ajuste” para a relação entre preço do Big Mac e a renda por pessoa (“per capita”) para cada país. A diferença entre o preço do Big Mac previsto pela “linha de melhor ajuste” para cada nível de renda por pessoa e o preço real do sanduíche no país é a medida para saber se a moeda do mesmo país está super ou subvalorizada.

Tá bom, tudo isso é uma chatice., mas você não está curioso/a para saber o que o Índice Big Mac diz sobre o Brasil? No mínimo, porque você vai viajar e precisa saber como vai estar o dólar?

Então, vamos lá. Na página do Big Mac Index você vai encontrar o cálculo dos índices “bruto”, sem nenhum tipo de ajuste, e “ajustado”.  Os gráficos são interativos e permitem “investigar” os índices de vários países.

Veja nas imagens abaixo como aparece o Brasil no cálculo usando o índice bruto.

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O Brasil aparece em 5º lugar de uma lista que ordena os preços em dólares de Big Mac, dos mais altos para os mais baixos, sempre em relação ao preço médio do Big Mac nos Estados Unidos. Quanto mais alto o preço relativo do Big Mac, mais baixa está a cotação do dólar em relação ao que deveria ser.

Assim é que nos gráficos acima, está dito que a cotação do dólar no Brasil está em R$ 2,27 (“Actual Exchange Rate“) e deveria estar em R$ 2,63 (“Implied Exchange Rate“), ou seja 16% mais alta.

O Índice Big Mac ajustado mostra que a taxa de câmbio no Brasil deveria ser ainda mais elevada. Veja abaixo:

Imagem3

Segundo o Índice Big Mac Ajustado, o câmbio de R$ 2,27 por dólar deveria ser hoje 71,6% mais caro – ou seja, R$ 3,90 por dólar!

Voltando ao Índice Bruto, porque é calculado há mais tempo, é possível verificar pelo gráfico que a situação do dólar mudou ao longo do tempo, sendo que entre 1999 e 2006 o dólar foi mais caro do que deveria ser pelo Índice Big Mac e, a partir de 2006, passou a ser mais barato do que deveria ser pelo mesmo Índice.

Imagem1

Sem entrar na discussão das razões para o comportamento observado da taxa de câmbio no Brasil, nem das possibilidades para a sua evolução futura, o objetivo aqui é apenas apresentar o indicador, que você pode acompanhar e usar para tirar suas próprias conclusões.

Agora se você achou tudo muito complicado e pouco útil, o melhor uso do Índice Big Mac será mesmo saber quanto o dito custa em cada país, o que pode ser muito útil para uma emergência, caso você viajar para um lugar sem conhecer a língua local e/ou com possibilidades de não se dar bem com a comida, a ponto do Big Mac ser melhor alternativa…

Bom apetite!

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